No dia 28 de fevereiro de 2026, quando vi o Ronaldo sentar-se no relvado contra o Al Fayha e pedir a substituição aos 81 minutos, senti aquele gelo no estômago que todos nós, adeptos, conhecemos bem. Já nem me importava com o 3-1 do Al Nassr, só queria perceber se ele conseguia pôr o pé no chão sem mancar. Tinha sido um jogo estranho desde início: falhou um penálti aos 12 minutos, via-se a frustração na cara, e de repente tudo passou de “má noite” a “será que é o fim da linha?”. Nas horas seguintes, a notícia da lesão explodiu não só nas redes sociais, mas também nos sites de apostas e nas plataformas que oferecem bónus, como o código promocional Betano; lá, o tema do dia eram linhas, odds de regresso e mercados em torno do seu estado físico.

Mas o que realmente aconteceu?

Mais do que “fadiga muscular”

Primeiro, tentaram acalmar-nos com a conversa da “fadiga muscular” e de que a substituição tinha sido por precaução, palavras do próprio Jorge Jesus. Mas as imagens do banco, com o gelo enorme na parte de trás da coxa direita, não enganavam ninguém. Dias depois, veio a confirmação que nenhum de nós queria ler: lesão no tendão dos isquiotibiais, aquela zona crítica para sprintar, travar, fazer aqueles arranques que ainda hoje o definem. Para piorar a ansiedade, começaram a circular relatos de possível envolvimento de tendão do joelho, e lembrámo-nos todos das antigas queixas no joelho que o acompanharam em parte da carreira.

A idade pesa… mas o Ronaldo é diferente

A verdade é que aos 41 anos, qualquer lesão de tendão mete respeito. O corpo já não recupera como aos 25, os microtraumas acumulam-se, e ele vinha numa sequência absurda de jogos e minutos, sempre a puxar pelo limite. Mesmo assim, quando leio que a previsão é de 2 a 4 semanas de paragem, sinto um misto de alívio e gratidão pela forma como ele continua a cuidar de si. Não estamos a falar de uma rotura total ou de um cenário tipo ligamento cruzado, como já vimos noutros craques que vão falhar o Mundial; é uma lesão séria, mas gerível, especialmente com o profissionalismo quase obsessivo que o Ronaldo sempre mostrou.

Al Nassr sem o seu farol

Para o Al Nassr, perder o seu melhor marcador nesta fase do campeonato é um murro no estômago. Ele já levava mais de vinte golos na época e é muito mais do que números: é referência ofensiva, é medo permanente para os adversários, é aquele nome na ficha de jogo que muda logo a forma como o outro treinador pensa o jogo. Agora o plano é simples: vai falhar pelo menos o jogo com o Neom SC e, muito provavelmente, também o duelo com o Al Khaleej, enquanto faz reabilitação e é avaliado dia a dia. Como adepto, vou continuar a ver os jogos, mas é impossível não sentir que falta ali uma peça gigante do puzzle.

O fantasma do Mundial 2026

Por muito que me preocupe o Al Nassr, o pensamento que não me larga é só um: “e o Mundial?”. Estamos a meses de o ver tornar-se, muito provavelmente, o primeiro jogador a disputar seis Mundiais, aos 41 anos, a desafiar toda a lógica do futebol moderno. As notícias de que esta lesão não deve ameaçar a presença dele em junho são um verdadeiro alívio, quase como um golo aos 90+. A projeção de 2 a 4 semanas de paragem significa que, se ninguém se precipitar, ele terá tempo suficiente para recuperar, voltar a ganhar ritmo no Al Nassr e chegar ao Mundial não só apto, mas competitivo.

Uma recaída agora podia roubar-lhe não só o Mundial, mas talvez o final de carreira que ele merece. Ao mesmo tempo, conhecendo o Ronaldo, sei que ele vai transformar esta lesão em mais um desafio pessoal, mais uma prova de que consegue voltar mais forte.